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Saúde

 

Greve no setor da saúde vai ser "a maior dos últimos anos"

Os profissionais de saúde iniciaram às 00:00 de hoje uma greve de 24 horas, que não abrange médicos nem enfermeiros, mas que os sindicatos acreditam que "vai ser a maior dos últimos anos". Convocada pelas estruturas da UGT (FESAP) e da CGTP-IN (Frente Comum), a greve deverá provocar problemas no funcionamento dos serviços, nas consultas, atendimento e diagnósticos, segundo afirmou José Abraão, secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP).

"Neste momento, no que é possível avaliar, porque os outros serviços não abriram, ao nível dos hospitais como Aveiro, Coimbra, Santa Maria ou Maternidade Alfredo da Costa tudo indica que há mais gente a fazer greve, que na última que se realizou na saúde", disse à Lusa o sindicalista, cerca das 00:45. José Abraão explicou que a greve deve abranger cerca de 200 mil trabalhadores, garantindo que os serviços mínimos vão ser cumpridos. "Esta greve vai ser a maior dos últimos anos, porque cobre um número enorme de serviços e trabalhadores, e porque as pessoas estão muito zangadas, revoltadas e prejudicadas e querem manifestar o seu protesto", salientou. O sindicalista salientou que os trabalhadores "estavam à espera" que os sindicatos avançassem para esta forma de luta, de modo a "mostrar ao governo que existe necessidade de se sentar à mesa para negociar".

Entre as motivações da greve está a falta de acordo coletivo de trabalho para 40 mil profissionais de saúde com contratos individuais de trabalho, mas que não beneficiam do descongelamento das carreiras, nem têm horário semanal de 35 horas, sobretudo dos hospitais EPE (Entidades Públicas Empresariais). Em causa está, nomeadamente, a valorização das carreiras dos assistentes técnicos (administrativos) e assistentes operacionais (auxiliares). "São necessárias soluções para os contratos individuais de trabalho, para a questão das 35 horas de trabalho semanal e também uma nova visão sobre aquilo que são os serviços de saúde, que não podem ficar reduzidos à preocupação do governo relativamente aos médicos e enfermeiros", defendeu.

O secretário-geral da FESAP acredita que ao longo do dia o impacto da greve vai aumentar, afetando instituídos ligados à saúde, Administrações Regionais de Saúde, unidades de saúde familiar e hospitais, em áreas como as consultas externas, urgências ou blocos operatórios. "No próximo dia 29, na reunião que vamos ter com a secretário de estado da Administração Pública pode haver uma resposta no sentido da negociação. A insatisfação de todo o setor vai ser sentida de forma clara e o que pretendemos é abertura de um processo negocial", disse.

(RTP, 24/11/17)

 

92% dos trabalhadores do Infarmed não estão disponíveis para se mudarem de Lisboa para o Porto

Um inquérito realizado aos trabalhadores do Infarmed revelou que 92% das pessoas não estão disponíveis para se mudarem de Lisboa para o Porto. Já esta tarde, em plenário, 97% tinham dito não concordar com o anúncio do Governo, identificando cinco riscos que passam pela perda de quadros experientes, dificuldades de coordenação, perda de influência na Europa, de competitividade e de reconhecimento internacional.

A Comissão de Trabalhadores esteve esta tarde com Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde, que terá mostrado solidariedade para com os trabalhadores. "Dado que 97% dos trabalhadores não concordam com a eventual transferência, esperamos que o Senhor Ministro da Saúde seja consequente com o compromisso assumido na reunião de que não será tomada nenhuma decisão definitiva que ponha em causa a missão do INFARMED e o respeito pela vontade manifestada pelos seus trabalhadores", é revelado no comunicado.

(TSF 22/11/17)

 

Concentração junto ao Hospital de Santarém contra "trabalho sem descanso"

Trabalhadores do Hospital de Santarém estão hoje a realizar um plenário à porta desta unidade de saúde para chamar a atenção para a "grave falta de assistentes operacionais" que está a obrigar a "trabalho sem descanso", disse fonte sindical. Luís Pesca, da direção distrital de Santarém do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA), disse à Lusa que, só no Hospital de Santarém, faltam uma centena de técnicos auxiliares de saúde, o que está a obrigar trabalhadores a fazerem turnos seguidos, sem as 12 horas de intervalo como obriga a lei, e "sem folgar aos sábados e aos domingos".

Esta situação está "a pôr em causa a saúde e a segurança dos trabalhadores e a prestação de cuidados aos utentes", disse Luís Pesca à Lusa, sublinhando que a situação é igualmente grave em outras unidades de saúde. Além do plenário com concentração marcado para a manhã de hoje em frente ao Hospital de Santarém, o sindicato vai realizar uma ação idêntica na quinta-feira à tarde em frente à unidade de Abrantes do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), onde, segundo o representante, a situação "é ainda mais caótica, mais gravosa".

Luís Pesca afirmou que o sindicato tem realizado reuniões com os conselhos de administração das duas unidades hospitalares do distrito, nas quais tem sido informado dos esforços desenvolvidos junto da tutela para que sejam autorizadas contratações, sem sucesso, dadas as limitações impostas pelo Ministério das Finanças ao Ministério da Saúde.

O sindicato "oficiou" ainda o Ministério da Saúde e denunciou a prática de "horários ilegais" junto da Autoridade para as Condições do Trabalho, pelo que, dada a ausência de respostas e o agravamento da situação, nomeadamente devido ao aumento de baixas médicas entre os trabalhadores, decidiu avançar para este protesto, adiantou. "Há cada vez menos trabalhadores nas enfermarias. Aos fins de semana há enfermarias que passam de quatro auxiliares para um", disse, acrescentando que houve um dia do mês de outubro em que as Urgências do Hospital de Abrantes tiveram apenas dois auxiliares para 50 utentes.

As concentrações de hoje e quinta-feira são uma "chamada de atenção pública para o que se está a passar" e um alerta para que "alguém terá que se responsabilizar se alguma coisa correr mal". Luís Pesca afirmou que a realização de turnos duplos deixou de ser uma situação pontual -- por exemplo para cobrir a falta de um colega que por algum imprevisto não se podia apresentar ao trabalho -- para passar a constar do próprio escalonamento, o que é "manifestamente ilegal". "Os trabalhadores deixaram de ter direito a vida própria. Estão a entrar em desespero", afirmou.

Luís Pesca disse que também faltam assistentes técnicos administrativos, o que tem gerado situações igualmente "caóticas" em vários centros de saúde do distrito. Além da contratação e dos "horários de trabalho dignos", os trabalhadores reclamam ainda a reposição das 35 horas semanais de trabalho e a criação da carreira de técnico auxiliar de saúde, afirmou.

(Noticias ao minuto 15/11/17)

 

Adesão total à greve dos técnicos de diagnóstico e terapêutica

A adesão à greve dos técnicos de diagnóstico e terapêutica, que hoje começou, é total, com todos os exames adiados, segundo o sindicato nacional do setor, que ressalva que os dados são ainda provisórios. Em declarações à agência Lusa, Sara Pacheco, da direção nacional do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, disse que a estrutura sindical ainda estava a recolher dados a nível nacional, mas, pelas 09:50 já tinha informação relativa às principais unidades de saúde de maior dimensão de Lisboa, Porto e Coimbra, que indicava uma "adesão plena", afetando todos os exames que estavam marcados.

A responsável acrescentou que estes dados incluíam tanto o turno da noite como o da manhã, que arrancou às 08:00, mas eram ainda provisórios. "Continuamos a recolher dados relativos a outras unidades do país", acrescentou.

Os técnicos de diagnóstico estão desde as 00:00 de hoje numa greve por tempo indeterminado, um protesto que pretende exigir a reposição do acordo que os sindicatos do setor dizem ter sido "violado pelo Governo". Está prevista para hoje à tarde uma manifestação em Lisboa, junto ao Ministério da Saúde, que o sindicato considera que será a maior de sempre. "Mais de meio milhar de profissionais irá descolar-se do norte e centro do país para manifestar a sua indignação", estima o sindicato num comunicado divulgado dois dias antes da paralisação.

Durante a manifestação, os profissionais pretendem entregar no Ministério da Saúde um manifesto com "denúncias sobre as iniquidades que se abateram" sobre os técnicos de diagnóstico e terapêutica. Segundo os sindicalistas, tinha sido acordado entre sindicatos e Governo uma quota de 30% de lugares de topo de carreira para os profissionais de diagnóstico e terapêutica. Contudo, em Conselho de Ministros, essa quota foi diminuída para 15%, uma situação que está a indignar os profissionais. Análises clínicas e exames complementares de diagnóstico devem ser os serviços mais afetados pela greve nacional destes profissionais, que não tem para já uma data para terminar.

(Noticias ao minuto 02/11/17)