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Saúde

 

#SNS de Negro. Iniciativa é "louvável" e pretende "salvar SNS de forma positiva"

Bastonário da Ordem dos Médicos está ao lado dos profissionais de saúde no movimento onde irão vestir de negro para mostrar o desagrado com o SNS. No Fórum TSF, Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, reagiu ao movimento informal de clínicos que acontecerá às sextas-feiras, em que os médicos irão vestir uma peça de roupa preta ou um crachá da iniciativa #SNS in Black, ou seja, #SNS de Negro, e considera a iniciativa "louvável".

"Os profissinais de saúdem têm a imagem real de que a situação em termos daquilo que são as condições de trabalho, a pressão exagerada que existe por parte do Governo para se produzirem cada vez mais números sem as devidas condições de trabalho, sem o capital humano necessário, levam a situações que em alguns casos são dramáticas", realça o profissional de saúde. Nesta senda, o bastonário dos médicos considera esta iniciativa "louvável", já que, em primeiro lugar, "coloca o interesse nas pessoas, é uma iniciativa a favor dos doentes e dos profissionais de saúde, uma iniciativa que pretende salvar o SNS mas de forma positiva", sendo um movimento "que tem impacto, que mostra a indignação que os profissionais de saúde têm porque não estão a ter as condições de trabalho necessárias, porque sentem que o SNS está a deslizar, mas não tem um efeito direto prejudicial para os doentes".

Tal como Ana Rita Cavaco já tinha dito no Fórum TSF, Miguel Guimarães concorda que existe um "subfinanciamento crónico do SNS". "Os governantes decidiram que a saúde dos portugueses vale 5,2% do PIB e em termos de SNS vale apenas 4,8% do PIB, quando a média dos países valoriza a saúde em cerca de 6,5% dp PIB.", explicou, acrescentando que "não é aceitável que o Governo português continue a desvalorizar a saúde das pessoas".

Recorde-se que a iniciativa é liderada pelo pneumologista Filipe Froes e que já foram feitos mais de mil crachás com o símbolo do protesto, o que antecipa uma adesão de centenas de médicos e outros profissionais de saúde.

(TSF 06/04/18)

 

Médicos denunciam falta de especialistas em Medicina no Trabalho

A Ordem dos Médicos do Centro denunciou hoje a falta de médicos especialistas em Medicina no Trabalho nos hospitais da região Centro e despreocupação da tutela com esta matéria. Em comunicado enviado à agência Lusa, a Ordem diz que a situação recente do sarampo evidenciou de forma clara este problema.

"Esta postura mostra bem como o Ministério da Saúde desvaloriza a saúde e o bem-estar dos seus colaboradores", refere Carlos Cortes, presidente da Secção Regional da Ordem, citado na nota de imprensa. Este responsável diz ainda que a Ordem "não pode ficar indiferente a esta falha grave, já que o Ministério da Saúde não cumpre a legislação". "No atual contexto, a SRCOM repudia ainda o recurso a empresas de subcontratação para suprir estas lacunas graves, uma vez que, na região Centro, não existem especialistas em Medicina no Trabalho nos serviços internos do Centro Hospitalar de Leiria, no Centro Hospitalar Tondela-Viseu, na Unidade Local de Saúde de Castelo Branco e Centro Hospitalar Cova da Beira".

A Ordem diz que foram reportados casos em que se "pretendem contratar serviços de médicos do trabalho, através de empresas de prestação de serviços, prejudicando a ligação entre a Saúde ocupacional e os seus funcionários. Mais: esta subcontratação seria, aliás, efetuada por um preço mais elevado do que se paga a um assistente graduado sénior em fim de carreira hospitalar. É escandaloso e atentatório da realidade a que assistimos nos hospitais da região Centro".

Cortes também refere que "todos os hospitais têm riscos biológicos, não podendo os seus profissionais de saúde ficar à mercê das cativações do Ministério das Finanças" porque "está em causa a proteção da saúde dos profissionais de saúde". "Esta situação, face ao surto de sarampo, uma das doenças mais contagiosas, coloca os profissionais de saúde sem qualquer resposta nas suas unidades de Saúde. Um Ministério da Saúde que não se preocupa com a saúde dos seus funcionários é um Ministério da Saúde que também não se preocupa com a saúde dos doentes. É necessário valorizar a Saúde Ocupacional e a especialidade da Medicina do Trabalho".

(Noticias ao minuto 26/03/18)

 

Enfermeiros iniciam hoje greve de dois dias

Os enfermeiros iniciaram às 08:00 de hoje uma greve de dois dias pela "valorização e dignificação" destes profissionais e que ficou agendada apesar da marcação de um calendário de negociações com o Governo sobre as suas 15 reivindicações. A greve, marcada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), começou no turno da manhã e termina às 24:00 de sexta-feira.

Segundo o SEP, os objetivos desta greve prendem-se essencialmente pela valorização e dignificação dos enfermeiros. Este sindicato reivindica o descongelamento das progressões, com a contagem dos pontos justamente devidos a todos os enfermeiros, independentemente do tipo de contrato de trabalho. A contratação imediata de 500 enfermeiros e de mais 1.000 enfermeiros entre abril e maio é outra das reivindicações, assim como "a ocupação integral dos 774 postos de trabalho colocados a concurso" para as Administrações Regionais da Saúde (ARS).

O SEP pretende ainda que seja efetuado "o pagamento do suplemento remuneratório para enfermeiros especialistas em março, com efeitos a janeiro/2018" e "o efetivo pagamento do trabalho extra/horas a mais em março e abril". A obrigatoriedade do cumprimento da legislação sobre horários de trabalho, em todas as instituições e a manutenção da missão das Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) são outras das medidas que os enfermeiros pretendem ver concretizada.

A 13 de março, o Ministério da Saúde assinou com os sindicatos dos enfermeiros um protocolo negocial para a revisão das carreiras de enfermagem. Apesar desta assinatura, o SEP decidiu manter a paralisação, pois as negociações com vista à revisão das carreiras é apenas "um dos 15 pontos que levaram à marcação da greve", disse então o dirigente deste sindicato José Carlos Martins.

(Noticias ao minuto 22/03/18)

 

Prestadores de serviços? Dinheiro daria para contratar três mil médicos

O Governo teria conseguido contratar mais de 3.000 médicos para o Serviço Nacional de Saúde com os 120 milhões de euros que terá despendido no ano passado com empresas de serviços médicos, estima a Ordem dos Médicos. As contas da Ordem dos Médicos (OM) foram divulgadas pelo bastonário numa sessão promovida ao fim do dia de terça-feira no parlamento pelo Bloco de Esquerda sobre o novo regime jurídico da formação médica. Segundo as contas da OM, o Ministério da Saúde teria conseguido contratar 3.048 médicos a trabalhar 40 horas semanais com o dinheiro que em 2017 se estima que gastou em empresas prestadoras de serviços médicos.

O bastonário dos Médicos, Miguel Guimarães, calcula que faltem 5.500 médicos especialistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), lembrando que muito do trabalho tem sido atualmente feito à custa dos médicos internos, ainda em formação, que têm servido para "tapar muitos buracos". Para chegar aos 5.500 médicos, a OM somou o número de clínicos que daria para contratar com o que terá sido pago a empresas médicas mais o volume de pagamentos em horas extraordinárias aos profissionais. A Ordem calcula que 21,4% dos pagamentos aos médicos são horas suplementares ou extra.

Sobre a insuficiência de especialistas, a OM refere que há 18 mil médicos especialistas no SNS e mais de 10 mil internos, o que dá uma relação de 1,7 especialistaS para cada sete internos. Para o bastonário, a escassez de especialistas dificulta a capacidade de formar mais jovens médicos em Portugal, até porque a esmagadora maioria de internos são formados no SNS.

(Noticias ao minuto 21/03/18)

 

Portugueses faltaram a mais de meio milhão de consultas devido ao custo dos transportes

Os portugueses faltaram a mais de meio milhão de consultas nos hospitais públicos no ano passado por causa dos custos dos transportes, concluiu um estudo que será hoje apresentado em Lisboa. Este trabalho da NOVA Information Management School (NOVA-IMS), da Universidade Nova de Lisboa, que é elaborado desde 2014, incluiu pela primeira vez a análise do impacto dos custos de transporte no acesso aos cuidados de saúde e verificou que, no que se refere às consultas externas (hospitais), este impacto é quase o dobro do dos custos das taxas moderadoras.

Segundo o estudo, ficaram por realizar 539.824 consultas externas/especialidade nos hospitais públicos devido aos custos de deslocação e 260.905 devido à conjugação dos custos de transporte com as taxas moderadoras. "As consultas, os exames e os episódios de urgência perdidos por via do valor das taxas moderadoras tem vindo a diminuir, o que é extremamente positivo e mostra que as questões relacionadas com o preço da utilização do sistema têm vindo a ser cada vez menos relevantes (...)", sublinha o coordenador principal do estudo, em declarações à Lusa.

Pedro Simões Coelho considerou ainda "muito importante" esta vertente do custo dos transportes e frisou: "esta não é uma realidade intrínseca ao sistema, mas tem de ser considerada pois há determinadas franjas da população para as quais estes custos da deslocação devem merecer uma particular atenção". Segundo os dados do estudo, ficaram por realizar 539.824 consultas externas/especialidade nos hospitais públicos por causa dos custos de transporte e 254.568 por causa do preço das taxas moderadoras. Já os dois motivos em conjunto (valor das taxas e custo da deslocação) fizeram com que não se realizassem 260.905 consultas externas nos hospitais, o que faz ascender a um milhão o número de consultas por realizar nos hospitais por todos estes motivos.

No que se refere às consultas com um médico de clínica geral ou com o médico de família num centro de saúde, o peso do custo dos transportes nas consultas por realizar (253.318) é menor do que o das consultas nos hospitais. Nos centros de saúde, o motivo que levou à não realização de um maior número de consultas (439.997) foi o custo das taxas moderadoras. O estudo indica ainda que cerca de 13,5% dos inquiridos admitiram não ter recorrido às urgências devido ao custo das taxas moderadoras, resultando em 908.631 episódios de urgência por concretizar.

Apesar dos portugueses continuarem a considerar os preços das taxas moderadoras adequados, mantêm uma perceção errada dos valores, uma vez que, nalguns casos, estimam custos acima dos reais. De acordo com este trabalho, há uma diferença entre o valor que os portugueses julgam que custa (11,32 euros) e o que realmente custa (7 euros) a taxa moderadora para uma consulta externa/especialidade num hospital público.

"Quando analisamos a importância da taxa moderadora no acesso ao sistema faz sentido perceber se as pessoas sabem quanto custa e se os valores se aproximam da realidade, para perceber se vale a pena atuar sob o ponto de vista da comunicação", explica Pedro Simões Coelho. "O que estimamos é que ao nível das consultas de cuidados primários em centros de saúde e dos episódios urgência as pessoas têm noção exata do preço (...). Agora, é uma percentagem pequena, mas ainda assim há 10% que acha que existe taxa moderadora para o internamento, que não existe, o que mostra que há um desalinhamento relativamente à realidade", acrescentou.

(Porto Canal 06/03/18)