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Portugal/UE/OCDE

 

Portugueses estão em maior risco de pobreza que a média dos cidadãos da UE

Em Portugal, a taxa de risco de pobreza ou exclusão social foi de 23,3%. Na UE, o valor recuou para os 22,5% em 2017. Portugal apresentava em 2017 uma taxa de 23,3% de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, acima da média da União Europeia (UE 22,5%) mas 2,7 pontos abaixo da de 2008.

Analisando os componentes do indicador, no último ano estavam 18,3% de pessoas em risco de pobreza monetária (após as transferências sociais) em Portugal, acima da média europeia (16,9%). No que respeita a situação de privação material severa, Portugal estava, em 2017, em linha com a UE nos 6,9% e abaixo da média (8% face aos 9,3% da UE) na componente referente a pessoas até aos 59 anos que vivem em domicílios com baixa intensidade laboral.

Face a 2008, a taxa de risco de pobreza ou exclusão social aumentou em dez Estados-membros entre 2008 e 2017, com a principal subida na Grécia (6,7 pontos percentuais, para os 34,8%), em Itália (3,4 pontos, para os 28,9%), Espanha (2,8 pontos, para os 26,6%) e Holanda (2,1 pontos, para os 17,0%). Os recuos mais significativos no mesmo período foram registados na Polónia (-11 pontos, para os 19,5%) Roménia (-8,5 pontos, para os 35,7%), Letónia (-6,0 pontos, para os 28,2%) e Bulgária (-5,9 pontos, para os 38,9%).

(TSF 16/10/18)

 

Paga pouco e despreza a geração mais bem preparada de sempre. Retrato do trabalho em Portugal

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) publica esta sexta-feira um relatório intitulado "Emprego Decente em Portugal, da Crise à Retoma". A OIT reconhece que houve "implicações severas para o mercado de trabalho" resultantes do período de ajustamento e agora em plena retoma "apesar do aumento do emprego, a qualidade do trabalho e os salários permanecem baixos."

O principal problema do mercado de trabalho evidenciado pela OIT tem a ver com a chamada segmentação. Ou seja, de acordo com a organização existe um grande número de empregos temporários e a OIT diz mesmo que "os jovens têm o acesso racionado a empregos estáveis e seguros", mesmo sendo a geração mais bem formada da história de Portugal. Por outro lado, a OIT reconhece que "os salários permaneceram, nos últimos anos, quase estagnados em termos reais e são baixos em relação à média da União Europeia".

Para contrariar esta tendência a OIT aconselha a "alinhar os salários aos ganhos de produtividade" e o Governo deve avançar, no curto prazo, com estímulos fiscais já que "a despesa pública poderia ajudar a aumentar o investimento produtivo privado", aconselha. Ao mesmo tempo fica o aviso: "as tentativas de reduzir a dívida externa não devem comprometer o investimento público". A OIT alerta ainda para a desregulação dos horários de trabalho em Portugal. "O número médio de horas semanais de trabalho aumentou em média uma hora - entre 2009 e 2016 - e mais ainda para as mulheres."

Em Portugal, as horas extra significam quase sempre "mais trabalho por menos dinheiro", pode ler-se no relatório. Para esta agência das Nações Unidas, "o caminho a seguir está no fortalecimento da posição competitiva do país, ao mesmo tempo em que garante oportunidades para empregos seguros e bem remunerados para todos, apoiados por medidas adequadas de proteção social", conclui a OIT.

(TSF 12/10/18)

 

Salário mínimo português é dos mais baixos da UE «seja qual for a referência»

«Os recentes aumentos do salário mínimo em Portugal não alteram a sua posição relativa» como um dos mais baixos da zona euro, reconhece o próprio Ministério do Trabalho num relatório. A constatação é ainda mais evidente quando se comparam os salários mínimos de vários países europeus em paridade de poder de compra, ou seja, tendo em consideração o que é possível adquirir com aquele valor em cada país. Numa lista de 14 países da União Europeia (UE), Portugal só fica acima da Hungria, da República Checa e da Hungria, e situa-se abaixo da Polónia e da Roménia, por exemplo.

Os dados constam do último relatório de acompanhamento do acordo sobre o salário mínimo nacional (SMN), elaborado pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho. «Seja qual for a referência usada, Portugal encontra-se, invariavelmente, entre os países com o salário mínimo mais baixo, quer da UE, quer da área do euro», refere o documento.

Apesar desta realidade, o Governo insistiu em limitar a proposta de aumento do SMN para 2019 em 600 euros nas Grandes Opções do Plano que enviou recentemente às confederações sindicais e patronais. O valor foi fixado pelo PS e pelo BE no acordo que assinaram no final de 2015 e que o Governo incluiu no seu programa. Os líderes das principais estruturas patronais já disseram, em declarações ao Dinheiro Vivo, que não estão disponíveis para avaliar qualquer proposta acima dos 600 euros.

A CGTP-IN avançou, no 1.º de Maio, com a proposta de fixação do SMN em 650 euros em Janeiro de 2019 – uma reivindicação que já chegou à Assembleia da República através de um projecto de resolução do PCP cuja votação ainda não foi agendada. Até a UGT, que assinou o acordo sobre a legislação laboral imposto pela troika, já anunciou que pretende um aumento para 615 euros. O BE, renegando o compromisso com o PS, pediu recentemente uma subida para acima dos 600 euros, ainda que sem quantificar.

(Abril Abril 25/09/18)

 

Mais de 15% dos jovens portugueses não estuda nem trabalha

Um em cada sete jovens adultos não estuda nem trabalha, segundo o relatório "Education at a Glance 2018", que coloca Portugal em 10.º lugar de uma lista de 31 países da OCDE. No ano passado, 15,2% dos jovens entre os 18 e os 24 anos que viviam em Portugal estavam classificados como "nem-nem", uma expressão que designa aqueles que deixaram de estudar, mas também não estão a trabalhar.

De acordo com o relatório hoje divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a situação em Portugal é mais grave do que a média registada na OCDE (14,5%) assim como nos países da União Europeia (14,3%).

Os turcos, os italianos e os gregos são quem mais se destaca pela negativa, com cerca de um em cada quatro jovens desocupados: Turquia (31,1%), Itália (26,6%) e Grécia (23%). Na lista dos 10 países mais problemáticos aparece ainda o México (22,1% dos jovens), a Espanha (20,9%), o Chile (21,1%), a França (18,7%), Israel (16,7%) e a Coreia (16,7%).

Olhando para os restantes jovens naquela faixa etária que viviam em Portugal no ano passado, a maioria estava a estudar (54,4%) e 30,4% a trabalhar. O documento revela ainda um aumento dos alunos que prosseguem os estudos depois de terminado o ensino obrigatório: no ano passado 34% dos jovens estava no ensino superior, o que representa mais 13 pontos percentuais em relação à situação vivida uma década antes, em 2007.

No entanto, estes números continuam muito aquém da média da OCDE (uma diferença de 10 pontos percentuais), segundo os dados disponibilizados no relatório. Também ainda não foi atingida a média no que toca ao investimento no ensino superior (em 2015, representou 1,3% do PIB, enquanto a média da OCDE é de 1,5%), refere o documento, que sublinha o desinvestimento no ensino superior que diminuiu cerca de 12% desde 2010.

Nos últimos anos, os países da OCDE têm feito uma aposta nas ciências, tecnologia, engenharias e matemáticas, uma realidade a que não escaparam os estudantes portugueses que procuram cada vez mais estas áreas de estudo. Também são cada vez mais os estrangeiros que escolhem Portugal como destino para estudar: entre 2013 e 2016 o número de estudantes internacionais aumentou 36%. Há dois anos, havia já 20 mil estrangeiros a frequentar instituições de ensino superior portuguesas, com destaque para os brasileiros (32%) e os espanhóis (cinco por cento). Também há cada vez mais os portugueses a querer prosseguir os estudos lá fora, tendo-se registado um aumento de 19% em apenas três anos, sendo o Reino Unidos e a França os destinos mais procurados.

(Porto Canal 11/09/18)