Formação Sindical

Observatório Emprego

Portuguese English French German Italian Russian Spanish
Emprego / Desemprego

 

Mais de 160 mil jovens portugueses não estudam nem trabalham

Segundo os números, dos mais de 160 mil jovens portugueses que não estudam nem trabalham: 41% têm o nono ano de escolaridade; 17% têm habilitações superiores. Mais de 160 mil jovens portugueses não estudam nem trabalham, revelou esta terça-feira o Garantia Jovem, programa europeu coordenado em Portugal pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Os dados foram apresentados no Instituto de Ciências Sociais, em Lisboa, durante um debate sobre o emprego jovem, numa iniciativa promovida pelo IEFP. Segundo os números, dos mais de 160 mil jovens portugueses que não estudam nem trabalham, chamados NEET (Not in Education, Employment, or Training – ou em português: não estudam, não têm emprego, nem recebem formação), 50,2% são do sexo feminino e 49,8% do género masculino. No que diz respeito à idade destes jovens NEET, 45% tem entre os 20 e os 24 anos, 41% entre os 25 e 19 anos, e 14% estão distribuídos pelas restantes faixas etárias.

O programa Garantia Jovem indica também que a baixa qualificação aumenta em cerca de três vezes a probabilidade disto acontecer: 41% dos jovens têm o 9º ano de escolaridade, 42% o ensino secundário e 17% correspondem às restantes habilitações académicas. Os dados mostram ainda que 59% dos jovens portugueses são desempregados inscritos no serviço público de emprego, enquanto 41% não se encontram registados nos serviços de emprego, educação e formação.

A Garantia Jovem é um programa europeu de resposta à inatividade e ao desemprego jovem, que tem como principal objetivo proporcionar aos jovens entre os 15 e 29 anos que não se encontrem a estudar nem a trabalhar, uma oportunidade para apostar na sua qualificação e estar em contacto com o mercado de trabalho. Em Portugal, o programa é coordenado e implementado pelo IEFP.

(Observador 19/06/18)

 

Trabalhadores da Soflusa e da Transtejo alcançam aumentos salariais

As greves na Soflusa e na Transtejo foram desconvocadas pelos trabalhadores, que conseguiram cedências do Governo e da administração em torno da valorização salarial. Os trabalhadores das empresas decidiram, em plenários realizados ontem à tarde nos terminais fluviais do Barreiro (Soflusa) e de Cacilhas (Trasntejo), a desconvocação das greves agendadas para dias 11 e 12, segundo a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN).

O acordo alcançado com a tutela e a administração de ambas as empresas, que garantem a travessia entre Lisboa e a Margem Sul, prevê medidas que terão sido anteriormente bloqueadas pelo Ministério das Finanças, o que comprometeu as negociações em torno do acordo de empresa. Agora, o Executivo comprometeu-se com aumentos salariais de 20 euros mensais para quem ganha até mil euros e de 15 euros para os restantes. Também serão incluídos 75% dos subsídios de catamarã (na Soflusa) e adicional de remuneração (na Transtejo) na tabela salarial, sendo que os restantes 25% serão incluídos a partir do início do próximo ano.

Os trabalhadores que não auferem qualquer destes subsídios terão uma compensação de quatro euros mensais e foi ainda assumido o compromisso de negociar um sistema de carreiras profissionais nas empresas até ao final do ano, para que entre em vigor logo a 1 de Janeiro de 2019.

(Abril abril 09/07/18)

 

CGTP diz que centenas de ferroviários podem ser dispensados

O secretário-geral da CGTP esteve hoje na estação do Rossio a solidarizar-se com a greve dos ferroviários, que estão "a defender os seus postos de trabalho", e alertou que 600 postos diretos podem desaparecer, além de 400 indiretos. Diversos sindicatos do setor ferroviário da CP marcaram para segunda-feira uma greve, mas a mesma já se faz sentir hoje devido a turnos que começam mais cedo. Em declarações à Lusa, Arménio Carlos alertou que estão em causa postos de trabalho, mas também está em causa a segurança dos utentes.

Também hoje o secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d´Oliveira Martins, disse que a greve não tem "justificação material", porque os sindicatos estão contra a possibilidade de os comboios circularem apenas com um agente, algo que faz parte de um regulamento que tem quase 20 anos e que o Governo não alterou nem vai alterar. O Regulamento Geral de Segurança (RGS), de 1999, tem como regra os dois agentes e admite excecionalmente, com restrições e sujeito a fiscalização, o agente único, explicou o secretário de Estado, acrescentando que a CP tem uma norma interna que não admite o agente único.

Arménio Carlos achou "estranho" o secretário de Estado não compreender a greve, explicando: "se ela se está a realizar é da responsabilidade do Governo, porque até agora não deu ouvidos e não teve em atenção àquilo que os sindicatos lhe disseram". "Se o Governo quer resolver o problema, é assinar um documento em que assegura a manutenção destes postos de trabalho e que estes trabalhadores podem continuar a desenvolver a sua atividade profissional e a garantir a segurança dos utentes. Se fizer isto, o problema está resolvido", disse Arménio Carlos.

Mas, no entender do secretário-geral da central sindical, a questão de fundo é outra. É que, explicou à Lusa, há um processo em desenvolvimento para, no próximo ano, todos os serviços de transporte estarem colocados "perante uma situação de concessão e uma abertura de concursos para aqueles que estiverem interessados". O que está "em marcha" é os candidatos a essa concessão saberem de antemão que "se ganharem o concurso podem dispensar centenas de trabalhadores", disse Arménio Carlos. "Se o Governo quer resolver o problema, assina um documento a dizer que, independentemente do concurso público e da concessão que eventualmente terá lugar, quer no transporte ferroviário quer no transporte rodoviário, os postos de trabalho estão assegurados. E está o problema resolvido. Queira o governo fazê-lo", afirmou Arménio Carlos.

Questionado pela Lusa sobre a razão de só agora os sindicatos contestarem o RGS, que existe há quase duas décadas, explicou o sindicalista que esse regulamento está a ser discutido com os sindicatos e que o Governo admite que empresas "com um determinado tipo de espelho e de figurino tecnológico podem dispensar um trabalhador, ficando apenas e só o maquinista". Tal "abre a porta" ao despedimento de centenas de trabalhadores, alertou Arménio Carlos, que salientou também a degradação das infraestruturas ferroviárias, bem como do material circulante, pelo que não se pode garantir a segurança das pessoas apenas com um agente. "Tem de haver rigor, seriedade e, acima de tudo, responsabilidade. É isso que os sindicatos estão a transmitir e não abdicam de defender os seus direitos", frisou.

(Noticias ao minuto 04/06/18)