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Economia

 

"País precisa de sobressalto nacional para reduzir défice alimentar"

No espaço da TSF "A Opinião", Carlos Carvalhas afirmou que, tal como aconteceu com os fogos, o país precisa de ser "abanado" para entender o défice que Portugal tem na agricultura e nas pescas. Carlos Carvalhas afirma que o défice da balança comercial dos produtos alimentares tem sido escondido estatisticamente e que representa um terço do total do défice comercial português. No espaço de comentário que ocupa semanalmente na TSF, "A Opinião", o antigo líder do PCP criticou a grande perda de produção que o país sofreu devido às políticas comuns da União Europeia.

O economista frisou os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que mostram que "o défice da balança alimentar atingiu, em 2017, cerca de 4 mil milhões de euros", valor que, nota Carvalhas, corresponde a metade do orçamento da Saúde e a metade dos juros pagos anualmente por Portugal. Carlos Carvalhas afirma que o país é "deficitário em quase todo os grandes grupos do reino animal e vegeta", com a exceção de algumas indústrias como as do vinho, azeite ou vinagre.

O comunista considera que as "quebras substanciais" que Portugal tem tido na produção alimentar se devem à Política Agrícola Comum, imposta pela União Europeia, e sublinha que a captura de pescado "foi reduzida em 63%, só satisfazendo "um quarto das necessidades do país", que é um dos maiores consumidores de peixe, a nível mundial. "Como aconteceu, por más razões, com os fogos, o país precisava aqui de um sobressalto nacional para reduzir o défice da nossa segurança agrícola e de pescas", defendeu Carlos Carvalhas.

Para o economista, o cenário precisa de ser "encarado" de frente: na comercialização (dando-se preferência aos produtos nacionais nas grandes superfícies comerciais) e através de uma forte intervenção na União Europeia, relativamente às políticas agrícolas e de pescas, sublinhando a necessidade uma "estratégia nacional que passe por todos os partidos e todos os interessados".

(TSF 29/05/18)

 

Risco de pobreza paira sobre quase 2,4 milhões de portugueses

Dois milhões e 399 mil portugueses encontravam-se, no ano passado, em risco de pobreza ou exclusão social. Dados do Instituto Nacional de Estatística, conhecidos esta segunda-feira, apontam para um decréscimo de 196 mil pessoas, em comparação com 2016. Os resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento de 2017 referem, assim, perto de 2,4 milhões de pessoas sob risco de pobreza, ou 23,3 por cento, contra os 25,1 do ano anterior. Neste conjunto, 431 mil, ou 18 por cento, tinham idades abaixo dos 18 anos. Quatrocentos e cinquenta e um mil, ou 18,8 por cento, eram pessoas com 65 ou mais anos.

O trabalho do Instituto Nacional de Estatística mostra ainda que 6,9 por cento dos residentes – 708 mil pessoas - apresentavam, no ano passado, condições de privação material severa. O que representa recuos de 1,5 e 2,7 pontos percentuais face a 2016 e a 2015, respetivamente. O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento é levado a cabo há 14 anos. Assenta em entrevistas presenciais e, em 2017, abarcou 14.052 famílias.

O questionário inclui perguntas sobre o agregado familiar e características de cada elemento, designadamente os rendimentos das pessoas com 16 ou mais anos de idade. A recolha de respostas tem lugar, geralmente, no segundo trimestre do ano. O indicador estatístico da população em risco de pobreza ou exclusão social associa as condições de risco de pobreza relativa, privação material severa e reduzida intensidade laboral per capita.

(RTP 07/05/18)

 

“Não é com as receitas do FMI que se constrói o futuro”

CGTP diz que este é o momento de Governo do PS “assumir as suas responsabilidades e, em vez de consensualizar posições com a Direita, na área laboral, potenciar a actual correlação de forças na Assembleia da República e revogar as normas gravosas das leis do trabalho”. O Fundo Monetário Internacional (FMI) “continua a defender os interesses do grande capital”, acusa a CGTP, reagindo assim ao relatório divulgado sobre a sexta missão pós-programa.

A CGTP nota que o FMI insiste “nas velhas recomendações ao Governo português, que no passado recente semearam o desemprego e a emigração em massa, o crescimento da injustiça e das desigualdades, o estrangulamento económico e o desespero e a miséria para milhares de trabalhadores e a generalidade do povo português”. “Mais uma vez, o FMI contesta a actualização do Salário Mínimo Nacional, alega uma inexistente subida excessiva de salários, confirma o seu objectivo de sempre de destruir os direitos individuais e colectivos dos trabalhadores e os seus conteúdos valorativos consagrados na contratação colectiva e persiste em defender a alteração da lei dos despedimentos, para os tornar ainda mais fáceis e baratos e generalizar a precariedade, de forma a dar sequência à política de exploração e empobrecimento que o povo derrotou nas últimas eleições”, refere a intersindical.

Ora, no entender da CGTP, “não é com políticas que desvalorizam o trabalho e os trabalhadores e que geram recessão económica”, que se pode assegurar o crescimento económico e o progresso social. É, sim, “com a recuperação de rendimentos e o investimento produtivo que, entre outros factores, se pode assegurar o crescimento económico e o progresso social”.

Assim sendo, a CGTP “rejeita todas as pressões e chantagens externas e internas do FMI, CE, BCE, do PSD, do CDS e do grande patronato para tentar aprofundar os retrocessos no mercado de trabalho e impedir as alterações que se justificam e exigem na legislação laboral”. Para os sindicalistas, a questão da revogação das normas gravosas do Código do Trabalho é uma matéria “estruturante” para o futuro dos trabalhadores e do país.

“Para um Governo que tencione desenvolver uma política de esquerda, é fundamental fazer uma ruptura com a legislação do trabalho da política de direita", frisa a intersindical, sublinhando ser este o momento de o Governo do PS “assumir as suas responsabilidades e, em vez de consensualizar posições com a direita, na área laboral, potenciar a actual correlação de forças na Assembleia da República e revogar as normas gravosas das leis do trabalho”.

(Noticias ao minuto 26/02/18)