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Economia

 

CGD perdeu 1200 milhões de euros com empréstimos a Berardo e Vale do Lobo

Uma auditoria à CGD revela que o banco público perdeu cerca de 1200 milhões de euros em 46 empréstimos de risco, onde não foram respeitadas as regras de concessão de crédito. O relatório preliminar da auditoria realizada a pedido do Ministério das Finanças pela consultora EY, dá conta de operações de crédito, entre 2000 e 2015, «aprovadas com parecer de análise de risco desfavorável, não se encontrando documentadas as justificações para a tomada de risco contrária ao parecer da Direcção Global de Risco [DGR]».

A informação é divulgada hoje pelo Eco, onde se lê que, apesar da abrangência temporal da análise ser de 15 anos, foram particularmente identificadas «excepções face ao normativo e ao enquadramento regulamentar aplicável», por exemplo sem garantias suficientes ou sem a apresentação do parecer técnico da DGR referente à operação, entre 2007 e 2012 – período em que a gestão do banco público esteve a cargo de Carlos Santos Ferreira e de Faria de Oliveira, actual presidente da Associação Portuguesa de Bancos.

Entre os 200 devedores que foram identificados pela consultora como tendo gerado as maiores perdas, há 64 casos em que ocorreu pelo menos uma dessas «excepções». No final de Dezembro de 2015, a CGD ainda tinha exposição a 46 desses clientes, num montante total de 2,96 mil milhões de euros em dívida. A encabeçar de devedores está a Artland, ligada ao projecto La Seda, em Sines, que representou perdas superiores 211 milhões de euros; a Investifino, de Manuel Fino, com mais de 138 milhões de euros; a Fundação Berardo, com mais de 124 milhões de euros; a Auto-Estradas Douro Litoral, com 122,6 milhões de euros, e Vale do Lobo Resort, com 75 milhões de euros. O Eco acrescenta que cada um destes créditos foi concedido entre 2000 e 2015, «mas a consultora não revela a data exacta da concessão, nem o montante inicial de cada crédito».

(Abril Abril 22/01/19)

 

CGTP-IN defende recuperação de sectores estratégicos para o Estado

Num encontro esta quinta-feira, a CGTP-IN fez um balanço de décadas de privatizações, dando como exemplo o desastre dos CTT e salientou os benefícios para o País dos serviços das empresas do Estado. A posição foi assumida durante um encontro promovido pela Intersindical Nacional na sua sede, em Lisboa, com o tema «Importância estratégica do Sector Empresarial do Estado e a luta contra as privatizações».

«O Sector Empresarial do Estado continua sob forte pressão e algumas das empresas que dele fazem parte mantêm-se na mira da privatização», alerta a CGTP-IN numa resolução aprovada hoje. Segundo a CGTP-IN, «estas empresas prestam um papel fundamental no desenvolvimento económico e social do País, não só por representarem um sector estratégico nacional, mas também, e principalmente, por prestarem serviços públicos à população, como é o caso dos transportes públicos, dos correios, das águas, da cultura». «As experiências do BPN, do BES, da CIMPOR, da PT, dos CTT, etc., provam que a gestão privada de empresas estratégicas para o desenvolvimento do País não merece qualquer confiança, não respeita quaisquer princípios éticos ou morais, orientando-se pelas regras capitalistas de maximização dos lucros, em detrimento dos interesses dos trabalhadores e do País», lê-se.

A CGTP-IN reitera que essas principais empresas e serviços estratégicos devem passar para o controlo público, passando a estar ao serviço das necessidades do País e da população, em vez da gestão privada, que «aprofundam os problemas existentes» e que acabam, mais tarde, por ser «os portugueses a ter de suportar as consequências da gestão privada danosa ou mesmo criminosa». «O longo processo de privatizações levado a cabo por sucessivos governos, e que já alienou, vendeu, destruiu uma larga parte de empresas públicas, tem mostrado como o mesmo é ruinoso para o País e para o povo português», reitera.

No documento, a Intersindical Nacional considera como sectores prioritários: o financeiro; as telecomunicações e a reserva do serviço postal e da empresa que lhe dá corpo (CTT); os transportes e infraestruturas, em toda a plenitude, com um «Plano Nacional de Transportes»; o energético, com ênfase na redução do preço da electricidade, gás e combustíveis; o sector da água e resíduos. A central sindical reivindica ainda «o reforço e recuperação das indústrias de defesa, como parte fundamental da soberania e defesa nacionais», bem como a recuperação de várias indústrias: siderúrgica, química de base, cimenteira, reparação naval e de contrução de comboios.

(Abril Abril 18/01/19)

 

Governo prepara privatização de secção da EMEF à Medway

Os trabalhadores da EMEF foram informados que o Governo vai proceder à venda de uma unidade de manutenção, cujas oficinas estão no Entroncamento, à multinacional suíça que detém a ex-CP Carga.
«Foi esta semana formalmente comunicado aos trabalhadores que o Governo decidiu da venda da unidade de negócio de manutenção de vagões da EMEF, que opera nos parques oficinais localizados no Entroncamento», lê-se na nota da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN).

Uma fonte na empresa afirmou ao AbrilAbril que o plano de venda já está em curso e com boa parte dos pormenores fechados, incluindo a transferência dos trabalhadores. A celebração da assinatura do contrato de compra e venda terá efeito a 1 de Janeiro de 2019. A venda da secção da EMEF será efectuada por via de um Acordo Complementar de Empresas (ACE), constituído entre a EMEF e a MEDWAY (ex-CP Carga), que será detido a 51% por esta empresa pertencente à multinacional suíça MSC. Ou seja, na prática representa a privatização desta unidade.

A Fectrans afirma que o Governo está, desta forma, a concretizar as medidas de desmembramento da EMEF, como vinha a ser anunciado e mereceu a denúncia constante dos trabalhadores e sindicatos ao longo do ano. Além disso, a estrutura reafirma que se trata de mais uma medida que serve apenas os interesses da MEDWAY/MSC, a qual recebe agora, depois de ter ficado com todo o material circulante da ex-CP Carga, as instalações e os equipamentos necessários à manutenção desse material. O Governo justifica a venda da unidade com a necessidade de satisfazer os critérios impostos pelo Tribunal de Contas. Todavia, a Fectrans afirma que, com o retorno da EMEF à CP, tais critérios ficariam ultrapassados.

Numa nota de imprensa, o PCP manifesta o seu repúdio e afirma que a decisão do Governo PS é mais «um passo no processo de descapitalização da CP e de desmembramento da EMEF», num «caminho da liquidação e pulverização do sector ferroviário nacional». Perante a vontade do Executivo, o PCP reitera que aquilo que se exigia era a inversão desse rumo e apela «à luta dos trabalhadores contra esta privatização», sublinhando a urgência de uma outra política – «um sector ferroviário uno, nacional e público ligado ao aparelho produtivo nacional e capaz de satisfazer as necessidades de mobilidade das populações». Sobre a justificação do Governo, os comunistas denunciam-na como falaciosa e iludindo várias questões, nomeadamente: que «a reintegração da EMEF na CP preencheria os critérios» do Tribunal de Contas; que estes critérios foram «deliberadamente produzidos por sucessivos governos e pela UE» sobrepondo-se aos interesses nacionais, pelo que também devem ser alterados.

(AbrilAbril 18/12/18)